
Com calor, o mesmo treino deixa de ser o mesmo treino. O corpo passa a gastar parte do esforço a arrefecer-se, e o plano tem de contar com isso.

As crianças desenvolvem-se a ritmos muito diferentes, e a maioria das diferenças não é problema nenhum. A dúvida legítima é saber quando vale a pena mostrar a alguém.

O regresso ao trabalho é uma etapa da reabilitação e não o momento em que ela acaba. Tratado como uma etapa, corre bem mais vezes.

Pergunta-se pela dor, pelo exercício, pela medicação. Pergunta-se menos pelo sono — e o sono é das poucas variáveis com efeito consistente sobre a dor e sobre a recuperação.

É a área que mais vezes se confunde com outra coisa. A forma mais curta de a explicar: o objectivo não é o movimento em si, é a tarefa que o movimento serve.

Há tonturas que assustam muito e se resolvem com relativa simplicidade — e outras que exigem semanas de treino. O primeiro passo é distinguir de que tontura se está a falar.

Pernas pesadas ao fim do dia, o sapato que aperta à tarde, a marca da meia. Nem tudo é linfático — mas quando é, há um tratamento com nome e com regras.

Depois de uma cirurgia, a atenção vai toda para a articulação, para a força, para a marcha. A cicatriz fica de fora da conversa — e por vezes é ela que está a limitar o movimento.

A perda de massa e de força muscular com a idade não é um destino. É uma consequência de fazer cada vez menos — e responde a treino em qualquer década da vida.

Respirar é automático, o que faz parecer que não há nada a treinar. Há: a forma como se respira, a força dos músculos que o fazem, e a capacidade de limpar as vias aéreas.

“Já não dói” é a frase mais perigosa da reabilitação desportiva. A ausência de dor é uma condição necessária para regressar — nunca foi suficiente.

Contamos as horas de trabalho ao computador e não contamos as outras: o telemóvel na fila, o tablet no sofá, o portátil ao fim da noite. O pescoço conta todas.

Quase toda a gente que começa a correr consegue correr. O que trava a maioria não é o fôlego — é uma queixa no joelho, na canela ou no tendão de Aquiles à volta da sexta semana.

Uma dor que dura três meses deixou de ser um aviso sobre um tecido lesionado e passou a ser um problema por si própria. Isso muda o que faz sentido fazer.

“Pilates” tornou-se um nome tão usado que já quase não descreve nada. Vale a pena separar o que se faz numa aula de grupo do que se faz num contexto clínico.

O equilíbrio treina-se, como a força. E treina-se em qualquer idade — inclusive, e sobretudo, depois dos setenta.

A RPG aparece muitas vezes descrita como “corrigir a postura”, o que é curto e enganador. O que a distingue é a forma como trabalha: posturas mantidas, activas e globais.

Caminhar é o exercício mais acessível que existe e o mais subestimado. Não precisa de inscrição nem de equipamento — precisa apenas de ser tratado como treino.

É uma das áreas em que as pessoas mais demoram a pedir ajuda, e uma daquelas em que a demora custa mais qualidade de vida do que precisava de custar.

É a pergunta mais frequente e a que tem a resposta mais curta: depende do que se quer conseguir, e a diferença entre os dois é menor do que a discussão à volta deles.

Em janeiro toda a gente começa. Em fevereiro quase toda a gente parou. Raramente por falta de vontade — normalmente porque o plano da primeira semana não era sustentável na quarta.

Pintores, electricistas, cabeleireiros, quem arruma prateleiras e quem nada: actividades diferentes com a mesma exigência — o braço acima da linha do ombro, muitas horas.

O erro mais comum de quem regressa ao treino não é a técnica. É a matemática: retomar o volume que se fazia antes, logo na primeira semana.

Setembro tem sempre um pico de queixas de coluna e de ombro. Quase nenhuma vem de um acidente. Vêm de seis semanas em que a rotina desapareceu.

A água faz duas coisas ao mesmo tempo que em terra são difíceis de conjugar: alivia a carga sobre as articulações e oferece resistência ao movimento em todas as direcções.

A entorse do tornozelo é das lesões mais banais que existem e das que mais vezes fica mal resolvida — não por ser grave, mas por se considerar resolvida cedo demais.

A pergunta chega quase sempre pela mesma ordem: qual é a cadeira certa, qual é a altura do ecrã, qual é a postura correcta. A resposta mais honesta é que a melhor postura é a próxima.

Uma lombalgia aguda assusta muito mais do que o que costuma ser. Os primeiros dias decidem menos do que se pensa sobre o resultado final — mas decidem bastante sobre o desconforto pelo caminho.

Muita gente chega à fisioterapia sem saber ao certo o que vai acontecer na primeira sessão. Não há mistério nenhum: a primeira vez serve sobretudo para perceber o problema antes de o tratar.

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